Mar de amor namoro

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Um "amor" que eu não entendi

2020.07.28 05:48 leepz2019 Um "amor" que eu não entendi

Olá me chamo L. (H.28) e venho buscar opiniões pra poder entender oque está acontecendo. Há 4 anos atrás conheci uma moça denominada D. Moça bonita e jovem 15 anos, só queria curtir e zoar a vida, quando eu a conheci foi em casa, naquela época consumimos maconha e vivíamos chapados, ninguém queria nada com nada, eu recém terminado e ela também. Nos envolvemos e aconteceu, a gente ficou e deixamos claro que não queríamos nós apegar tanto, porém não foi isso que aconteceu. Porém eu vinha passando por problemas devido ao meu término recente e vi que estava ali só por estar mesmo. Comecei a pensar e fui me afundando numa depressão profunda e amarga, porém não quis demonstrar isso, eu gostava muito dela e sabia que na idade dela não tinha porque envolver-la em algo desse tipo, afinal queríamos curtir. Passando um tempo minha mãe sabendo da minha situação me chamou pra ir morar com ela no nordeste, sem chão e sem nada resolvi ir sem hesitar. Expliquei para a D. que teria que ir embora pois não tinha mesmo condições de me manter nas condições emocionais que eu estava. Ela entendeu e compreendeu, sempre fomos muito sinceros um com o outro. Fui embora de coração partido por deixar a cidade e pessoas muito importantes pra mim pra trás. Chegando lá não consegui me adaptar e cai em depressão profunda, o único motivo pra eu sair da cama era comer e fumar cannabis. Passado um tempo comecei a me sentir mais disposto, saia pra passear beira mar, dar uns pegas bem assim dizer, uma euforia total. Cheguei a mandar mensagem pra D. Já que tinha me afastado por conta da depressão, porém ela tinha voltado com o ex, segui em frente afinal oque mais me importava era se ela estava feliz ou não. Passado uns 2 meses entrei em uma crise psicótica devido ao uso de cannabis. Passei por avaliação psicológica e fui encaminhado pra uma clínica. Foram os piores dias da minha vida, porém aprendi muita coisa ali. Eu já não queria mais morar lá no nordeste então saindo da internação resolvi fazer uso de drogas denovo sabendo que assim minha mãe me mandaria de volta pra minha cidade aqui no sudeste. Voltei e continuei a usar contrariando todo o tratamento da doença (esquizofrenia) uma simples tendência nada que me tornasse incapacitado de lidar com a sociedade. Certas vezes cheguei a sair e esbarrar com ela pelas ruas, cruzamos olhares mais ela ainda estava com ele e eu pensava que ela estava feliz e não queria estragar isso. Passado um tempo me atacou outra crise e resumindo segui pra uma internação mais severa agora aqui no sudeste e parei com o uso de drogas pra não atacar crise de novo. Fiquei um ano focado em trabalhar e cuidar de mim se manter relação amorosa com ninguém, isso foi ano passado. Um amigo em comum que namora uma amiga dela me disse que esses dias elas estavam conversando sobre mim, que ela aparentemente estava tendo um mal relacionamento com o namorado dela e disse que ela nunca me esqueceu e que gostava de mim depois de todo aquele tempo. O amigo me disse pra mandar mensagem pra ela, passado alguns dias eu criei coragem e mandei um oi pra ela no wpp. Sem resposta eu pensei, ela deve estar se acertando com ele, melhor eu deixar quieto. Passado mais alguns dias respondi um storie do instagram, não passou muito ela me respondeu com um emoji, logo voltamos a nos falar cada vez mais e mais. Perguntei se ela tinha terminado e ela disse que sim, antes de agente voltar a se falar ainda. Numa sexta feira tomando uma cerveja ela me disse que ia dar com o irmão, eu sem muito o que fazer chamei ela pra tomar uma em casa onde nos conhecemos, e ela aceitou e veio pra minha casa, já com a intenção de ficarmos, pois havíamos conversado por mensagem. O reencontro foi algo muito especial pra mim, algo que eu não consigo explicar. Ela passava quase a semana em casa, e quando ia pra casa dela trocava-mos mensagem do amanhecer ao anoitecer, eu achava me sentia muito pressionado mas sentia que ela precisava disso pois ela havia mencionado que também tinha parado de usar drogas que ocasionaram em crises de Pânico ou ansiedade não sabemos ao certo pois ela não quis ir ao médico saber sobre. Ela vinha tendo crises com certa frequência e eu sempre ajudei como pude, quando estava longe eu tentava distrair-la, quando perto abraçava, conversava, contava algo engraçado até passar tudo. Com um mês pedi ela em namoro durante uma festa que fazíamos em casa, ela aceitou, ficou emocionada ao meu ver, pois havia relatado que ninguém nunca tinha feito aquilo com ela, pusemos as alianças e comemoramos aquele dia. Ela passava muito tempo em casa e eu e meu irmão estávamos desempregados no momento, logo conversamos que ela vinha um dia da semana pra casa e nos fins de semana pra não pesar pra ninguém como havia combinado com meu irmão, conversei com ela e foi sem problema mas sempre ela inventava algo como está tarde ou vai chover ou que se sentia bem em casa comigo, pois o pessoal de casa sempre gostou dela e tratou ela super bem, entao eu ficava sem jeito de pedir pra ela ir pra casa dela. Mas sempre expliquei pra ela que quando eu pudesse eu traria ela pra morar comigo aqui, ela sempre ajudou como podia, não tinha dinheiro pois não trabalhava e eu ainda estava sem serviço pois nosso negócio estava parado por conta da troca de estação. Passando algum tempo realizamos a venda de um imóvel rural, recebi um bom valor da minha parte e sempre combinamos que quando o negócio voltasse a rodar iríamos trabalhar pra fazer esse dinheiro render então decidi pegar o resto das coisas dela , até isso acontecer aproveitamos muito, bebemos muito e curtimos muito, sempre comprei coisas pra comer sem necessidade, porém comprei muita coisa necessária também como roupas pra nós dois, comprei maquiagem pra ela, escova progressiva pro cabelo, trocamos de celular, comemoramos aniversário fomos em festas antes dessa pandemia é claro, aos pouco vi ela ficar cada vez mais linda de que quando a conheci. No caminho dessa curtição sempre reparei nas atitudes dela comigo, principalmente quando bebia ela me desagradava com certas atitudes, eu ficava extremamente magoado com aquilo e sempre me abri com ela e expliquei que aquilo me magoava muito. Coisas como, você tá parecendo meu ex, amigos que dava em cima dela eram melhores que eu, ou em certa conversa expliquei pra ela que ela me devia respeito, pois sempre respeitei ela e fiz o que ela queria, ela nunca teve quem fizesse essas coisas por ela, então eu fiz tudo na melhor intenção e felicidade por fazer ela feliz, ela me disse que não tinha por que me respeitar. Nós não éramos mais namorado, ela já estava morando comigo há mais de 4 meses, éramos praticamente marido e mulher, claro que tinha que ter respeito um pelo outro poxa. Sempre tivemos biometria do celular um do outro como sinal de confiança mas nunca olhei seu celular, uma vez ou outra só quando queria saber oque tanto fazia ali, e ela fazia também quando eu dormia eu acho, pois não via ela mexendo, até aí normal, apesar dos apesares sempre nos demos muito bem e eu achava que éramos felizes. Mas de nesses últimos 2 meses, reparei que ela já não se divertia muito diretamente comigo, só quando não tinha mais ninguém mesmo, se tivesse algum parente dela ou meu bebendo com a gente ela era totalmente radiante e feliz. Se eu for parar pra contar tudo que eu reparei com certeza vai ficar muito maior esse texto.. Continuando, mais precisamente a umas 3 semanas fomos a um aniversário do cunhado dela que eu sempre vou considerar como se fosse da minha família, inclusive sou muito grato a ela por ter conhecido ele e também a minha cunhada que é namorada dele e irmã da D. Enfim fomos a festa e chegando lá estava a família do aniversariante a mãe e os irmãos que eu conhecia aliás, tem um deles especificamente denominado J. Que ela sempre me falou mal, dizia que quando ele estava com a namorada ele era c..são e dava ânsia cada vez que ouvia o nome dele, porem recentemente a parceira dele largou dele e foi embora do estado. Até aí tudo bem, ele foi super simpático comigo, porém notei ela muito simpática com ele. Naquela noite fiquei assando carne na garagem em baixo onde se encontrava a maioria do pessoal, e ela distante de mim, direto lá em cima conversando com os irmãos do cunhado e nada de me dar atenção, percebi mas nem falei nada pra não ficar um clima chato na festa e nem começar uma briga com ela. Festa acabando chamei ela pra ir embora que a irmã dela ia levar a gente, ela estava jogando futebol no game com os irmãos do cunhado dela, e não me deu ouvidos direito, disse que estava vendo alguém jogar, eu falei vamo que o carro tá ligado já, ela disse que já ia, desci e falei pra irmã dela chamar que ela não queria vir, a irmã subiu, logo ela desceu, ao sair do portão torceu o pé, estava bem embriagada, todos estávamos, durante o caminho veio dormindo e chegou em casa subiu as escada deitou na nossa cama e logo adormeceu. No domingo ela acordou com o pé super inchado me chamou e eu perguntei se ela queria ir ao hospital ela disse que não, depois disso no meio do dia meu sogro liga pra ela perguntando se não queria ir na casa dele, disse que era melhor não ir por casa do pé, ela não gostou então fomos mesmo assim, bebemos rimos muito aquele dia, tudo normal, chegando em casa cuidei dela devido a pé e ficamos de boa, estava tudo normal aparentemente, na segunda ela ficou o dia inteiro no quarto devido ao pé inchado, na terça disse que iria na irmã dela e que a mãe ia lá e queria passar o dia lá, normal pra mim, antes de sair meu irmão havia pedido pra ela separar algumas peças que foram vendidas, ela disse que faria assim que chegasse. Na sexta feira antes disso meu avô havia sofrido uma queda e bateu a cabeça forte, no sábado do aniversário ele havia passado mal da pressão e ido ao hospital, desde então eu já estava aflito com essa situação e ela nem pra perceber, foi mesmo assim pra casa da irmã, no meio do dia me manda uma mensagem dizendo que o pé inchou, perguntei pra onde tinha andado ela disse que tinha ido ao mercado de apé, já fiquei meio irritado, pois há algum tempo ela já não ajudava nas tarefas de casa direito, coisa que sempre fiz independente de estar trabalhando ou não, paras as obrigações fazia corpo mole, pra se divertir era a primeira a agitar, blz. Me mandou uma foto do pé inchado, logo em seguida falei "quero ver essa disposição aqui em casa" e mandei uma palminha sobre a foto. Meu avô havia ido ao médico e eu estava extremamente preocupado. Não conversamos o resto do dia, mais ao anoitecer ela chega em casa me dizendo que tinha que voltar lá na irmã pra cortar a franja, só olhei e não respondi, por tamanha indignação com as preocupações minhas comparadas com as dela, que já não se importava muito com o que eu sentia e afins. Depois daquele dia ela se fechou e não saia do quarto nem pra comer, e direto eu vinha ver como ela estava, quando ela não estava vendo algo no celular estava jogando com o J. quem ela sempre falou mal, e estava rindo com o cara, toda hora conversando, e comigo nada de conversa, ia dormir tarde conversando no wpp e jogando, rindo com os outros e eu nada, fui ficando extremamente magoado e nervoso com isso tudo, cheguei a ter batedeira e tremedeira de nervoso, sensação de desmaio, fraqueza, decidi então ocupar a cabeça com serviço, enquanto ela ficava no quarto isolada falando só com quem ela queria eu me distraia com outras coisas. Na sexta feira resolvi puxar assunto com ela no wpp, já que ela não saia de lá, logo ela me respondeu e conversamos, disse a ela que não dava pra continuar desse jeito e ela concordou, eu também disse que desconfiava que havia algo errado ( mais uma coisa de intuição ou pressentimento não sei explicar) , ela me disse que eu tava viajando já, um pouco também é pelo fato de ela colocar o celular debaixo do travesseiro antes de dormir, coisa que nunca aconteceu e eu achei estranho mas nem falei sobre isso, durante a conversa me disse que tinha uma bagunça dentro dela que a vida dela era um caos e não queria me envolver nisso tudo, que cansou de fingir que tava bem e precisava pensar na vida, que tinha que ficar um tempo sozinha pra ver oque ela tava fazendo da vida dela????? Como assim? Depois de tudo que passamos que "conquistamos" , tudo que curtiu , dizia que me amava e eu também dizia, aliás ainda amo, cadê aquele amor todo que tinha me dito que tinha? Que nunca me esqueceu? Que eu era a melhor coisa que tinha acontecido na vida dela? Que eu era o homem que ela pediu pra Deus? Que eu ninguém tratou ela como eu tratei? Passou mais um dia, enfim logo ela mudou de assunto e desceu ajudar minha cunhada com umas coisas de casa, foi até mim, disse que me amava, me deu um beijo, e disse que havia melhorado um pouco, mais a tarde eu ainda trabalhando perguntei a ela, e aí tá de boa? Ela me respondeu.. Sinceramente não tô não.. Disse a ela que a hora que eu subisse conversaria Ela perguntou se podia chorar, pois estava com uma vontade gritante fazia tempo Disse que sim, que as vezes tudo que precisa é desabafar e fazer isso mesmo Eu subi, cheguei no quarto e liguei a TV e coloquei algo pra tocar num volume mais ou menos, abracei ela bem forte deitado na cama, e senti ela chorando bem baixinho pra não perceber, ali eu me senti muito mal mas muito mesmo, porém a gente havia conversado e ela me disse que não foi nada que eu tivesse feito ou falado pra ela, do contrário, era coisa dela e ela não queria me envolver, enfim ela terminou de chorar veio até mim e nos beijamos intensamente, sentou no meu colo e continuou me beijando, cheguei a pensar que transariamos. Ela saiu de cima e estávamos conversando sobre nada específico que envolvesse nossos sentimentos, ela me perguntou se eu tinha entrado no jogo que sempre jogamos juntos pra coletar recompensas eu disse que não e pedi pra ela pegar meu celular pra eu poder fazer isso, entrei lá e logo o J. estava online e me chamou pra jogar, joguei com ele na boa pq já tinha combinado, e perguntei a ela se ela queria jogar, sem hesitar ela entrou com a gente, jogamos até altas horas e foi bem divertido. No dia seguinte estávamos conversando normal e tudo até que um amigo em comum avisou que teria um churrasco de aniversário na casa dele a noite e teria chamado também a irmã dela e o cunhado, logo encaminhei pra ela e ela disse que tinha combinado almoço na casa da mãe do cunhado dela onde reside o J., falei mais eu nem sabia que se tinha combinado isso, e outra dava pra ficar pra outro dia, já percebi que ela não gostou e parou de falar comigo, subi no quarto pra trazer comida pra ela pois ela não havia saído do quarto, cheguei ainda amoroso e disse comprei algo pra você comer, ela disse que não tava com fome e não olhou na minha cara, pensei poxa denovo isso..algum tempo depois entrei no quarto ela rindo e jogando denovo com o mesmo cara, enquanto eu resolvia as coisas pro aniversário e trabalhava. Pouco antes de me arrumar entrei no quarto a mesma situação, não me senti mal exatamente por ela estar jogando e rindo com ele, fiquei meio chateado por que ela me ignorava. Enfim varou a tarde jogando e tive que pedir pra ela se arrumar se não nós atrasariamos, fez cara e se arrumou, e seguiu seca e meio calada igual a semana inteira, fomos para a festa.. Chegando lá se divertiu e tirou foto com todo mundo menos comigo..depois de um tempo ela me disse que estava passando mal e queria ir embora, trouxe ela em casa que é perto e pedi pra ela comer algo quando chegasse pra não acordar passando mal com dor de cabeça Ali eu tomei a decisão de fazer como se fosse um dia em que eu pudesse extravasar, Bebi como se não houvesse o amanhã, fui até 10 horas da manhã bebendo.. chorei muito desabafei muito com a minha cunhada que sempre foi parceira e amiga em tudo, inclusive da D. Subi e descansei, não vi ela acordar e quando acordei ela estava no banheiro, desci e continuei bebendo e pensando em tudo. Fiquei o dia sem inteiro sem entrar no quarto..quando entro me deparo com ela mais uma vez jogando e rindo com o cara, depois disso comecei a tremer e sentir batedeira denovo. Conversei com alguém e fui tomar um banho pra acalmar. Funcionou, entrei no quarto e acho quel ela percebeu que eu saí nervoso logo ela saiu do jogo. Na segunda feira ela ia repetir o mesmo esquema da semana passada e ia me ignorar..passei o dia inteiro pensado sobre o que fazer e como fazer e decidi subir pra conversar. Cheguei no quarto ela estava com a toalha ao lado..perguntei se ela iria se banhar ela seca me disse "vou"... Disse que a hora que ela voltasse precisaríamos conversar.. Ela voltou do banho e sentou na cama e disse.. Vai solta a letra.. Já rebati..é assim mesmo que você fala? Tem certeza que quer começar uma conversa assim? Ela disse não,, foi mal diz aí oque se quer Perguntei eai? As coisas vai ficar assim mesmo? Se não quer falar comigo, só ri e conversa normal com os outros? Ela disse eu não tô falando com ninguém 🙄 Já parei a conversa e falei ... Ó assim não dá nao...faz um favor e só arruma outro lugar pra você ficar e pode ir embora.. Sem hesitar ela disse hoje mesmo eu faço isso! Me doeu muito ter que dizer aquilo.. Mas para ela foi como se já tivesse esperando.. Então me dirigi a porta e disse, me faz um último favor? Ela disse hum? Falei.. Isso que você fez comigo, não faz com o próximo não.. é feio e é muito errado... Ela balançou a cabeça e disse... Tá bom Desci e fiquei inquieto lá em baixo, minha vontade era subir e falar tudo que estava e estou sentindo agora.. Ela me pediu pra ajudar a encontrar as chaves da sua casa, subi e quando abri a porta ela estava sentada chorando muito...aquilo me partiu o coração, mesmo assim encontrei as chaves e entreguei a ela.. Sentei ao lado dela quieto e esperei pela carona dela.. Pouco antes de ir me pediu um abraço. Nós abraçamos e nos beijamos uma última vez e enfim ela foi embora.. No dia seguinte atualizou seu status pra solteira nas redes sociais e posta indiretas como coisas do tipo a dar entender que já está em outra e isso tem me magoado profundamente.. Eu tenho tanto ainda pra falar..mas estou digitando faz horas.. Fica aqui um desabafo +
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2020.06.21 06:02 harrys23 O chapéu do Jean nunca coube tão bem

Olá luba, editores, gatas e turma que está a ver. Então, essa só uma história de como amor próprio é importante na vida da gente (a história é grande, mas vale a pena, dê uma chance). PS: Tinha 21 anos quando tudo isso aconteceu, hoje tenho 22, isso pode ou não deixar a história mais revoltante. resumo no fim do texto, caso não queria ler tanto.
Eu comecei a namorar a Barls quando entrei na faculdade, foi um namoro com altos e baixos, com alguns meses de namoro eu traí ela por que ainda tinha uma mentalidade infantil e sem maturidade. Ela ficou extremamente magoada comigo e eu realmente me senti arrependido pelo meu erro, ela me perdoou e eu fiquei meses tentando reconquistar a confiança dela.
Com o tempo superamos isso e tudo ficou no passado. Namoramos por 1 ano e alguns meses, ela me pediu em casamento, eu disse não porque eramos somente estagiários e seria complicado casar do nada sem ter nem um real no bolso. Mas depois de uns meses, pedi a mão dela em casamento na praia quando viajava com a família dela (P.S: ela perdeu a aliança no mar na mesma hora ¬¬).
Depois de completar 2 anos de namoro, investindo a metade dos nossos 2 salários de estagiários por mês, casamos. Foi ótimo, eu me atrasei pra chegar no casamento, meu avô que nos casou, a festa de casamento foi no McDonald, só coisa chique de um casamento de estagiários kkkk. Conseguimos um apartamento que nossos salários conseguissem pagar o aluguel, com o dinheiro investido conseguimos mobiliar a casa (junto com umas ajudas das nossas famílias)... Por 3 semanas eu chegava em casa me sentindo realizado.
Nota-se que eu disse 3 semanas. Após 3 semanas de casados, um amigo nosso (Arls) da faculdade nos chamou pra uma festa na casa dele pois os pais dele tinham viajado e eles liberaram pra ter uma festa. (P.S: Arls era meu melhor amigo, considerava ele meu irmão) Pra encurtar a história, eu vi Arls e Barls se beijando na piscina depois da festa.
Confrontei os dois, eles assumiram ter sentimentos um pelo outro desde que se conheceram mas que tinha sido a primeira vez que tinha ocorrido isso (se pegarem). Ela começou a desmaiar por ter problemas de ansiedade, quando acordava falava pra eu ir embora e que não queria me ver, e desmaiava de novo. Ela desmaiou mais umas 3x dizendo a mesma coisa. eu deixei ela com o Arls no quarto e disse pra ele que se ela acordasse era pra dizer que eu fui pra casa, mas que qualquer coisa tava do lado de fora. Passei a noite acordado, chorando.
No dia seguinte, ainda na casa de Arls, sentei pra conversar com ela, disse que a perdoava, mas que precisava saber se ela ainda iria querer continuar juntos (já que sente algo por Arls) e que, se fosse continuar, ela teria que ganhar minha confiança do zero, como eu tive que fazer e queria essa resposta até o final do dia. Fomos pra casa. No fim do dia ela pediu pra abrir a relação pra poder continuar ficando com Arls, e que só responderia se queria continuar comigo depois que eu respondesse sobre abrir a relação. Eu concordei em abrir a relação, ela disse "claro que eu vou continuar com você, mas se você não tivesse aberto a relação eu iria pedir um tempo".
Não, essa história não acaba aqui (JEZAS), ela ficava com Arls depois da faculdade no caminho pro trabalho dela, fins de semana e tals. quando voltávamos pra casa juntos depois do trabalho, ela ficava no celular conversando com ele, "a saudade dele é maior que a sua porque você mora comigo" ela dizia quando eu pedia atenção e tudo mais. Depois de 2 semanas de relacionamento aberto, ela pediu pra virar poliamor (queria namorar com ele enquanto casada comigo) porque se descobriu poligâmica. Eu não queria desaprovar quem ela realmente era, não queria deixar ela infeliz porque ela era (pra mim) o amor da minha vida, minha esposa e eu amava ela.
Eu entrei numa depressão fodida, só comia quando não aguentava mais de fome porque tinha medo de pegar a faca e me matar (como quase aconteceu uma vez nesse meio tempo). Nós não conversávamos direito, não tinha mais afeto, não tinha mais carinho... Ela começou a ir cada vez mais com frequência pra casa dele, ficar comigo só um ou dois dias e depois ficar com ele por mais tempo.
Eu pedia atenção, explicava pra ela como me sentia, pra ver se ela nota que seu marido queria atenção pelo menos. Um dia, ela sentou comigo e terminou a relação, com o motivo de que a relação estava toxica pra ela porque eu pesava o emocional dela.
A história ainda não acabou, porque não basta ser corno, tem que ser trouxa kkkk. Ela terminou mas pediu pra que ainda morássemos juntos, pra fingir que ainda estávamos casados para nossas famílias pra não perder a ajuda deles (eles ajudavam pagando nossas faculdades alguns meses). Eu aceitei com medo de não ser aceito pela minha família (que eram contra o casamento desde sempre).
Passei por muita coisa que, quando conto, meus amigos ainda querem me bater por ter passado por isso. Eu dormia só dormia no sofá e ela dormia na cama com ele (cama dada de presente por meus pais), ela ia "tomar banho" demorado junto com ele enquanto eu estava na sala tendo que aumentar o som da TV (deu pra entender né?), tive que ficar 1h no salão de jogos do prédio porque ela queria "um momento a sós com ele"... Enfim.
A casa que eu chegava e me sentia realizado, era uma prisão de tristeza que eu mesmo criei. Alguns amigos me tiravam de casa porque vivia sozinho e depressivo, eu comecei a beber muito pra não pensar em me matar, fumar muito pra controlar a ansiedade. Até depois de 5 meses nessa situação, meus amigos me encorajaram a sair de lá e contar aos meus pais.
Contei pra Barls que queria sair de lá e contar para meus pais, Ela pediu que eu contasse que terminamos porque eu comecei a beber e fumar e por isso não tava dando certo pra ela (porque foi o que ela contou para os pais dela). Pediu pra que ela ficasse com as coisas e o apartamento, e eu concordei em deixar tudo pra ela porque só queria paz.
Contei TUDO para meus pais, morrendo de medo de ouvir um "triste, agora se vira". Eles me acolheram em casa, buscaram minhas coisas porque não queriam que eu voltasse pra lá, tentaram ouvir o lado da Barls (que não quis conversar com eles), me colocaram em terapia e num psiquiatra.
Dias depois que saí de lá, Barls me chama de manipulador, mentiroso e que fiz todo mundo achar que ela é a vilã. chegou a dizer "não tem como qualquer pessoa ter qualquer tipo de relacionamento com você" (e ouvir isso de quem você ainda ama é algo que marca bastante). Tudo porque nossos amigos em comum ficaram do meu lado, mesmo dando a ela a chance de contar o lado dela da história ela sempre desviava do assunto ou nunca falava nada.
Hoje em dia ainda to no processo de divorcio, não tenho contato com ela a não ser pra falar do divorcio. Ainda tenho problemas com autoestima e depressão, mas sei que 90% disso que passei não teria acontecido se eu tivesse tido amor próprio. Não me culpo por ela ter me traído, nem nada, apenas me culpo por não ter amor próprio o suficiente pra dizer não a ela e pensar no meu bem estar emocional pra ter deixado essa situação mais cedo.
É isso luba, minha história é revoltante, eu sei, provavelmente vou receber mensagem dela porque ela também te acompanha (se ela encher o saco eu bloqueio e foda-se). Mas queria compartilhar minha história pro pessoal ver como amor próprio pode salvar sua sanidade. Beijo lubisco <3
"Caraca que história grande pra caralho, num vou ler": Fui corno, abri a relação pra ela ficar com o cara, ela pediu pra poder namorar com ele enquanto casada comigo, terminou comigo depois, pediu pra fingirmos que estávamos juntos pra nossas famílias e quando saí de lá, eu sou o errado por contar essa história.
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2020.04.21 15:52 -Galactic_Cat- EM ALGUM MOMENTO A VIDA FICA BOA?

É serio, 2020 ta me fazendo repensar tudo. Minha vida foi uma bosta desde o nascimento, salvaguarda a poucos momentos felizes...Minha vinda ao mundo foi planejada, porem com o passar dos 9 meses minha família ja tava fodida de dinheiro até eu deixar o útero da minha mãe, minha infância foi normal, tirando o fato q minha mãe tinha depressão severa e dormia o dia todo além disso meu pai dedicava mais tempo aos amigos e ao vídeo game do que a família.
Depois de mts brigas meus pais se divorciam quando eu tinha os 8 anos, minha mãe vai morar em outra cidade e eu fico com meu pai, meu pai arrumou outra mulher e como minha mãe ficava falando no meu ouvido nunca foi fácil pra mim.
Saltando na narrativa, no ensino médio resolvi estudar igual um parnasiano, estava cansado de correr atras de amores rejeitados e assistir animes. Estudei 16h por dia no terceiro ano do ensino médio, fodi com minha vida social e minha saudê mental, no fim não entrei pra universidade.
Começo 2020 tomando antidepressivos e um psicologo q toma chá de sumiço, triste e sem proposito, perambulo na sombra do meu pai pra n ficar sozinho me martirizando, eu n era bem um servente de pedreiro mas ajudava como podia. Eis que, apos algum tempo consigo meu primeiro emprego! Nice, ajudante de padeiro, ganhava 5 pães por dia, 1 salgado e um salario de 500 reais....parecia q estava indo tudo bem, me declarei pra minha amiga do ensino médio(ela sumiu depois disso), comecei um namoro de 24h(me arrependo), estudava Tecnologia da informação(a contragosto).
E então na metade de março os jornais anunciam "corona vírus pede medidas de isolamento" e ai q tudo fica uma merda dnv, perdi meu primeiro emprego, perdi meus supostos "amigos" do ensino médio, não vejo meu psicologo desde fevereiro, procrastino minhas leituras, os dias passam tão rápido q eu me assusto...me sinto horrível por ser tão improdutivo.
Eu tenho algum motivo pra crer q tudo vai ficar bem? Quando eu digo q quero fazer uma faculdade estadual ninguém acredita em mim, quando eu pergunto pra qualquer menina se ela planeja ter filhos um dia as respostas me deixam desanimado, quando eu penso em ir ver o mar o futuro parece tão incerto....Sla eu me sinto arrumando as cadeiras do titanic
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2020.03.25 20:41 Upa-upa-puxadote Arrufos em Alto-mar

A sereia atonou até à cinta, de rompante. Com os punhos amuados, maltratou a frol das ondas, chapinhando com veemência. Uma vaga mais forte encapelou-se, mas a sereia, graciosa e lesta, esgueirou-se ao arrastão. Desenvolta, sacudiu os cabelos cerúleos, que chibataram o ar, com um rasto de respingos salgados. Então gorjeou para o navio, para que o Corta-línguas traduzisse.
«Então?» instou o fidalgo, debruçado sobre a amurada, rabeando os olhos entre a sereia e o Corta-línguas «Qual é a resposta dela?»
Engoliu em seco. Já tinha os cantos da boca inchados e vermelhos, com boqueiras. Suspirou e, num tugido, acanhado e cabisbaixo, explicou:
«Ela recusa, senhor. Diz que não quer…»
«Mas explicaste-lhe que a amo? Disseste-lhe que não suporto a ideia de viver sem ela? Que a quero desposar, a ela e a mais ninguém?» teimou o fidalgo, tomando o Corta-línguas pelos colarinhos à força e obrigando-o a arrostá-lo de perto.
«Sim, meu amo», afiançou fitando-o, amedrontado.
«E ela quê?»
«Não quer…» encolheu os ombros, esmorecendo-lhe a voz.
«Diz-lhe outra vez, caramba!» exaltou-se o jovem nobre, arrojando-o contra a amurada da embarcação.
O Corta-línguas expirou fundo. Procurou recompor-se, como pôde. Deitou dois dedos aos cantos dos lábios, esbeiçou, e soltou um trinado. Esmerou-se por encontrar as palavras certas, os tons mais adequados para veicular os votos de amor do nobre.
A sereia, porém, atalhou-lhe a cantiga. Chapou as águas com a cauda.
«♫ Escusas de traduzir… Já sei o que é. Está a dizer que me ama, outra vez, não é? Põe-se sempre com olhinhos de carneirinho mal-morto, quando diz que me ama…♫» bufou a sereia, cruzando os braços e deitando-se de lado sobre as águas que, entretanto, haviam serenado. Apartou os cabelos da frente dos olhos e relanceou para Duque, sondando-o. «♫ Ele aceitou, ao menos?» Inquiriu a mulher-peixe.
«♬ Hã… não… nem por isso ♬»
«♫Olha, temos pena ♫», resmungou. Sem meias-medidas, deu um salto de golfinho à rectaguarda, e embrenhou-se nas profundezas, com um chapão aparatoso, cortando abruptamente com a conversa.
«Então, ela que respondeu?» tornou o Duque.
«Que é uma pena»
« "uma pena”? Como assim “uma pena”?»
«Diria que vos estava a rejeitar, meu senhor»
«Como dizes?» atroou o fidalgo, o sobrolho içado de indignação «A mim? Rejeitar-me, a mim?» recachou, deitando uma mão ao peito com afectada teatralidade. Depois, como se a ideia se lhe afigurasse um absurdo ridículo, bufou uma gargalhada abafada. «Qual quê! Foste tu!» rematou, empurrando o Corta-línguas contra a amurada. «Seu burgesso», tornando a tomar o intérprete pelos colarinhos «Foste tu que a insultaste, de certeza. Foi alguma cadelice que lhe disseste. Foi a ti que ela rejeitou!». Agarrou o Corta-línguas pelo cachaço e, numa guinada, voltou-o e debruçou-o sobre a amurada, pronto a larga-lo borda fora.
«Fica sabendo, há anos que a namoro. Anos.» frisou «E nunca me rejeitou. Nunca me dirigiu, se não sorrisos e meneios».
«Perdão, senhor. Mil perdões… tenha piedade» o Corta-línguas desdobrava-se em desculpas. A fola das ondas cada vez mais próxima, abafava-lhe a voz.
«Meu amo» interrompeu o Capitão da embarcação
«Sim?!» respostou, sem se dignar a encará-lo «Estou ocupado» acrescentou, entredentes, esboçando um sorriso de fera.
«Os homens da chusma têm fateixas e redes. Com a Sua vénia, facilmente a apanhamos» informou, secamente
O Duque largou o Corta-línguas. E pôs-se a congeminar.
O Corta-línguas apeou-se. Afastou-se da amurada e, ainda ofegante do susto, advertiu o fidalgo impetuoso, munido de uma coragem que desconhecia possuir
«Se o fizerdes, meu amo, ela nunca vos perdoará. Nenhuma mulher, nem as que são meio-peixe, se quer ver cativa. Guardar-vos-á rancor.» os olhos do fidalgo relancearam para o Corta-línguas, as pupilas trémulas. «As sereias cativas acabam por morrer subitamente, senhor. É sabido. Desfalecem, vítimas de banzo do mar e melancolia do cárcere. Não o façais. Crede-me.» asseverou o Corta-línguas.
«Amo-a» repetiu o fidalgo «Quero-a por esposa. Mas quero-a com pernas, não com rabo de peixe. E é possível» expendeu, deitando a mão ao interior do jaqueta de onde sacou uma garrafa de vidro da boémia «com este elixir- garantiram-mo, com certeza absoluta- ela há-de perder o rabo de peixe e ganhar pernas. Sofridamente, é certo.», reconheceu «Mas tão-só por três dias, nada de mais… depois já a poderei apresentar a meus pais» tentou obtemperar, ainda.
«Chama por ela, Corta-línguas» rogou o nobre, já de olhos marejados «Por favor…».
«Por duas vezes lhe expliquei os seus planos, meu amo. Mas ela não acede.» encolheu os ombros «Aliás, ela pretende que Vossa Mercê se junte a ela, nas profundezas marinhas. Diz que conhece uma bruxa do mar, capaz de vos transformar as pernas numa bela cauda de peixe. Sem quaisquer dores ou padecimentos…» relatou.
«Essa é que era boa! Eu? De rabo de peixe? Era o que faltava… olha que esta…» desdenhou o jovem. «Anda lá, chama por ela outra vez, Corta-línguas… à terceira é que é de vez…» ordenou, enxotando-o com adamanes, para ao pé da amurada.
Resignado, o Corta-línguas pegou no búzio e quando se preparava para tornar a cornetar, reparou que a sereia continuava por perto, observando o navio, debaixo de água. Assim que o viu de búzio nas mãos, subiu à superfície. Ansiosa, trissou:
«♬ E então? Já ganhou juízo, o meu príncipe? ♬»
«♫Tem dó, filha do Mar. Ao meu senhor não basta ter uma cauda de peixe. Ele não consegue respirar debaixo de água. Tu bem que podes respirar dentro e fora dela, mas ele não! ♫» pleiteou o tradutor.
«♫ Já sabia… Eu já sabia» barafustou a sereia «Vem sempre com desculpas… Sempre… não é capaz de fazer um sacrificiozinho que seja. Não!» rematou, amuada.
Mas antes que o intérprete pudesse dizer fosse o que fosse, a mulher-peixe voltou-se para o encarar «♫ Quando se ama uma pessoa faz-se sacrifícios por ela. Quantas vezes não me esfolei sentada, em escolhos e rochedos, para nos encontrarmos? Quantas vezes não ressequei ao sol? Constipei-me noites sem-fim, à custa dele… E ele não é capaz de se livrar daqueles penduricalhos horrorosos, por mim?» cruza os braços, abespinhada. «♫ Diz… diz-lhe que não posso ser sempre eu a ceder. Ele também tem de fazer sacrifícios, se quer levar esta relação avante ♫» pediu a sereia
«♫Menina das ondas… tem dó… ele não é capaz de respirar debaixo de água» tornou
«♫ Chega! Estou farta de desculpas parvas. Eu… eu também gosto dele… eu quero ter os alevins dele, mas como é que vou fazer isso se ele não pode ir à desova? Vou pôr as minhas ovas onde? Na boina dele?»
«Corta-línguas, então? Ela aceita?» intrometeu-se o Duque, impaciente.
«Está a recalcitrar, senhor. Ela está… está mesmo enfadada consigo»
«Às coas!» gritou o Duque, voltando-se para os marujos «Não ficai aí especados, às coas! Já disse.» ordenou, apontando para as redes. «Ai ela está com coisas? Vou enfiá-la num tanque por um mês, a ver se ela não muda já de ideias…»
Os marujos ficaram quedos. Sem saber o que fazer. «Capitão, que se passa com a chusma? Engajaste uma pandilha de moucos?»
«Meu senhor, a chusma recusa-se a apanhar a sereia. São gente simples, sabe… cheia de superstições e abusões de marinheiro…. Macaquinhos no sótão, sem pés nem cabeça, é certo… Mas, estão convencidos de que se apanharem a sereia vão enfurecer os mares…»
«Enfurecer os mares?»
«Sim, excelência, o grosso da chusma são pescadores e eles temem que o povo do mar se revolte contra eles se se souber que eles andam a raptar sereias…»
«Cambada…» vociferou o príncipe «Fica sabendo, quando atracarmos vou mandar-vos açoitar. A todos. Ides encher-vos de tantos vergões que até as camisas na pele vos hão-de doer» ameaçou
«Por favor…» o Corta-línguas pediu silêncio «Ela está a dizer qualquer coisa»
«♫ Já me chega» resmoneou a sereia «Vou-me embora. Dragomano, diz ao meu príncipe que se decida de uma vez.» inquieta.
De seguida, acrescentou ainda «E diz-lhe que eu sou uma sereia séria. Não vou andar com ele por aí, feito estrela-do-mar de quatro braços. Se só ele quer andar por aí na marmelada nos areais, há outras sereias sirigaitas, que de certeza que não se hão-de importar.»
«♫ filha do Mar… por favor...»
«♫ Ei! Ainda não acabei. Sou uma sereia adulta, casadoira, preparada para desovar. Se ele, deveras, me ama, então que arranje uma cauda de peixe e guelras, como um tritão normal. Caso contrário, já não quero saber dele para nada. Conta-lhe.» intimou
O Corta-línguas reproduziu o ultimato da sereia o melhor que pôde.
«Ah, insolente!» Barafustou o Duque «Olha, diz-lhe que vá bacalhoar, então» e virou costas
«♫ Ele que respondeu?»
«♫ Não quer a cauda» encolheu os ombros o tradutor
«♫ Ai é?... polvos o fodam» e submergiu, com um chapo violento
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2019.08.12 07:24 echimenes SOBRE O LADO COMPLICADO DAS RELAÇÕES - HOMOAFETIVAS OU NÃO

Ok, isso é literalmente um desabafo. Acho que já passei da fase das reclamações - e essa nem seria a função desse grupo. Mas aviso desde já: história longa a frente.
Primeiro, vou contextualizar vocês:
Eu tenho 22 anos de idade. Formado em Contabilidade em uma universidade federal. Me considero bonito, tenho boas comunicações sociais no ramo profissional e já trabalho na minha área de formação a quase 2 anos.
Sou gay. Não assumido para familiares - não por escolha, mas simplesmente por que não me preocupo com o que vão pensar de mim. Eu sou o que sou e tenho pleno orgulho de mim. Não preciso ficar anunciando a ninguém. Quem já sabe, e algumas pessoas mais próximas a mim já sabem, me aceitam sem complicações ou preconceitos imaturos.
Sempre fui mente aberta, porém apenas me reconheço como homossexual a pouco mais de 3 anos. Morava em uma cidade minúscula até mudar definitivamente para a cidade onde a minha universidade se localiza, uma das maiores do estado. Aqui, terminei minha graduação e consegui um bom emprego. Viver com a minha avó, depois do falecimento da minha mãe aos meus 11 anos, me fez crescer livre, embora minha timidez excessiva na adolescência não me permitiu ser um cara de festas e baladas, ou bebidas e outras drogas lícitas. Não sou de muitos amigos até hoje, embora seja mais extrovertido do que jamais fui.
Gosto de escrever. Muito. Meu sonho é ganhar dinheiro escrevendo um dia, seja livros ou roteiros de novelas e filmes - confesso: eu penso alto, embora meus pés estejam bem firmes no chão. Sou nerd quando o assunto é ciências, filmes, séries, livros e coisas dessa área pop. Gosto de fazer amigos que curtam o mesmo que eu.
Agora vamos ao "problema":
Eu me apaixonei por um garoto. Um ano mais velho que eu. Nem um pouco nerd e de personalidade extremamente mais dominante, mais autoritária. Um cara mandão, do tipo que não aceita "nãos" como resposta para nada.
Eu, que cresci sendo mimado pelas mulheres da minha família, jamais pensei que fosse me desarmar por outra pessoa como aconteceu. De verdade, pensei que eu fosse ser um grande babaca quando encontrasse o amor da minha vida.
"Grande engano o seu!" - disse o coração.
Pois é, o amor veio. Jamais senti o que senti por ele quando nos conhecemos. Foi bem na época em que eu "soube" que gostava de garotos e esse cara literalmente me ensinou, me introduziu ao mundo LGBTQ+. E só Deus sabe o quanto eu adorei isso. Aprendi a perder o pouquinho de preconceito que eu ainda trazia comigo desde antes de me ver nesse meio. Ele cuidou de mim, me ajudou a me adaptar nessa nova cidade e me fez pensar estar num sonho.
Obs.: sem contar que tudo o que sei 'na cama', adivinhem? Foi ele também que me ensinou. Virgem até os 20. Pronto, falei.
Eu realmente espero que outros homossexuais que lerem esse texto se identifiquem com a minha história. Eu não acho que seja tão incomum assim passar pelo que eu passo.
Começamos a namorar. Eu conheci a família dele. Passei a frequentar muito sua casa e a dormir lá mais vezes do que eu dormia na minha própria durante a semana. Seis meses haviam passado e já fazíamos planos ousados de irmos morar juntos dividir um mesmo aluguel e um mesmo lar. Ter nosso próprio doguinho.
Logo quando encontramos nossa nova casa, com menos de um ano que nos conhecíamos, resolvemos fazer nossa "lua de mel". Compramos juntos uma viagem para o Nordeste, onde ele viu o mar pela primeira vez comigo - eu já havia visto antes, durante um Simpósio no sul em que fui com minha turma da faculdade.
Foi durante essa viagem que senti as coisas começarem a desandar. Eu soube desde o início que ele era obsecado por sexo. E não me entendam mal, eu também gosto, mas no caso dele - ser assumido desde muito pequeno, ter conhecido o mundo do sexo logo com seus 14 anos de idade e nunca ter sido muito controlado pela mãe que o criou para ter cuidado com esses assuntos, creio que isso mexeu com a cabeça dele -, imagino que isso o deixou ser mais guiado pelo lado irracional da coisa.
Eu sei que muitos casais passam por isso. Apimentar a relação, encontrar uma forma nova de fazer. De repente, um brinquedo ou um até mesmo um terceiro. Sim, hoje eu sei que isso é a coisa mais normal no mundo. Não é um bicho de sete cabeças. Não é um BIG DEAL. É o ser humano. Somos nós. Cansamos do mesmo corpo, dos mesmos lábios, dos mesmos assuntos. Não tem a ver com amor. Tem a ver com adrenalina. Precisamos sempre de renovações, de viver novas aventuras. É maior do que nós. Pessoas desimpedidas passam por isso dia após dia. Mas chega a ser um tabu para os casais. E não estou falando apenas de homossexuais. Homens e mulheres se machucam o tempo todo quando chegam nesse estágio do relacionamento. É triste e desencorajador, mas devo dizer que para quem passa por isso, pode ser um grande ensinamento de vida.
Não sei se é por sermos dois homens ou se é por termos feito as coisas muito rápido, mas com menos de um ano de namoro, cansamos um do outro. O amor não diminuiu, pelo contrário, ainda é o mesmo. O que mudou foi a falta de novidade. Ele já tinha tido muito mais experiências do que eu. Havia passado por loucuras que rezo para nunca ter que passar. Mas eu, em termos, ainda sou um iniciante nesses assuntos. Ele queria mais do que isso.
Sugeri um terceiro. Sou MUITO mente aberta. A ideia não me magoou no início, embora tenha me assustado, confesso. Ele prontamente aceitou e aconteceu ainda nesse viagem. Minha primeira experiência a três, mas não a primeira dele, claro. Embora eu não tenho dito nada a princípio, isso mexeu comigo. Não soube como reagir. É estranho ver a pessoa que você ama com outro. Okay, eu deixei, eu permiti aquilo, mas quando aconteceu, fui invadido por um sentimento totalmente novo.
Depois da viagem, as coisas não melhoraram muito. Fizemos a "brincadeira" outras várias vezes, mas parecia não ser certo. Eu vejo pornografia online diariamente como todo garoto da minha idade. Isso nunca me afetou ao ponto do vício.
Então as desconfianças começaram.
Eu ia para o trabalho nos dias em que ele tinha folga e ficava imaginando o que ele estaria fazendo em casa. Ou com quem ele estaria. Vejam bem, não sou ciumento, mas eu já sabia do que ele era capaz por causa do sexo. Aliás, não se trata de ciúmes; é algo mais... ético. Poxa, somos um casal. Praticamente casados com alianças e tudo. Já fizemos ménage antes e não haveria por que pensar que pudesse haver traição no meio. Eu tinha esse sentimento dentro de mim - ainda tenho -, de querer conhecer alguém diferente, me envolver como me envolvi com ele. Sabem? Me sentir como me senti no começo com ele. Quando a chama da paixão era ardente e incontrolável. Mas não poderia deixar nada mesquinho aflorar de dentro de mim. Eu amo ele. Ponto.
E foi então que eu descobri. Eu já estava às vésperas de me formar na faculdade. Estava com emprego novo e tudo parecia correr as mil maravilhas. Eu soube através de um meio anônimo que ele estava saindo com outros caras. Não poderia dizer quantos, mas sabia que eram mais do que um. Meu mundo só não caiu por que sei me virar em situações de emergência. Sei alinhar meus pensamentos. Sei administrar o que é racional do que não é.
Não joguei nada na cara dele. Deixei as coisas fluirem. Continuei a trabalhar durante o dia e pegar o ônibus para ir a faculdade a noite. Nos finais de semana, eu limpava a casa e lavava nossas roupas. Por ter poucos amigos, praticamente não saia nas folgas.
Não demorou muito para eu também começar a sair com outras pessoas. As escondidas, claro. Era só sexo. Nada de contatos. Apenas satisfação da carne. Ele fez, por que eu não podia? Também sou jovem, bonito, por que bancar a Cinderela com a madrasta e as primas más? Podem me julgar a partir daqui, mas me senti revigorado. Senti a chama de novo. Não me senti me vingando, estava muito além disso.
As vezes ainda fazíamos nossos trios, mas com frequência menor do que antes. Então um dia, ele descobriu que eu também pulava a cerca como ele. O cara com quem eu havia saído numa folga minha em que ele trabalhou, não sei por qual motivo - talvez para ver o circo pegar fogo - mandou prints de nossas conversas para ele e aí... bem, não foi tão frio quando eu fui. Brigamos como nunca. Claro que já havíamos brigado antes por vários motivos diferentes - inclusive por sexo -, mas essa briga em especial foi a maior. Decidimos nos separar. Ele jogou varias hipocrisias na minha cara e eu, bem, eu aceitei. Foram sete dias sem nos vermos. Eu já estava pensando em me mudar para a casa de um primo até saber para onde iria, quando tivemos uma última conversa. Abri minha alma, expliquei o que eu havia feito e por quê. Lembram do que falei sobre não aceitar "nãos" como resposta? Pois é, isso vale para não aceitar que a culpa recaia sobre você também. Foi uma conversa difícil. Tínhamos um cachorro para cuidar. Uma casa alugada com um contrato de aluguel ainda longe de vencer e dívidas contraídas juntas para liquidar. Talvez tenha sido a junção de tudo isso, daquela dívida moral que eu sempre vou ter com ele por ter me ajudado tanto no começo, mas reatamos.
Continuamos juntos, embora elefantes ainda caminhem pela nossa casa. Eu sei perdoar. Já perdoei várias coisas e pessoas antes dele. Não guardo mágoas, pois sei dos malefícios que se dão com isso. Não gosto de atmosféras tóxicas dentro de um relacionamento, seja ele amoroso ou não.
Agora, sinceramente já não ligo para as folgas dele. Não ligo para o fato de quantos caras ele vai levar para a nossa cama enquanto eu Não estou por perto. Eu sou mente aberta ao extremo. Talvez se ele tivesse me pedido antes de fazer, eu tivesse deixado. Não estou decepcionado e não me sinto traído. Não choro por isso a noite depois que ele já dormiu. Minha consciência está, acreditem vocês, tranquila. Certa vez, num banheiro público, li a seguinte frase:
"Você tem certeza que não está colocando vírgulas ainda deveria estar colocando pontos finais?"
Pois é, eu sei que estou colocando vírgulas. Muitas. Sinto que metado de mim iria embora no momento em que nos separassemos definitivamente. Pois mudei muito depois que o conheci.
Mudo a cada dia estando perto dele e sabendo do que aconteceu. Me sinto preso. Preso em algo que já parou de andar. Isso me faz querer me odiar, mas eu também tenho amor próprio. Ou será que acho que tenho por pensar assim e fazer algo totalmente diferente?
Eu sou um garoto e a outra pessoa também é. Somos um casal homossexual vivendo num país predominantemente homofóbico e intolerante. Mas eu sei que essa minha história é a mesma que muitos outros casais vivem ou já viveram por aí. Eu amo esse cara. Amo ao ponto de ainda estar com ele depois de tudo. Amo ao ponto de saber que estaríamos melhor separados. Mas me faltam forças para dar esse passo.
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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